Foto: Danilo M. Yoshioka/ Especial Metrópoles
Registros obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação mostram 15 dias diferentes de presença do filho do presidente no complexo; visitas somaram 23 horas e 26 minutos.
O empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Lula da Silva (PT), esteve pelo menos 18 vezes no Palácio do Planalto desde o início de 2023, segundo registros do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI). As informações foram divulgadas pelo colunista Tácio Lorran, do Metrópoles.
De acordo com os dados, as entradas ocorreram em 15 dias diferentes, entre junho de 2023 e janeiro de 2025. Ao todo, os registros contabilizam 23 horas e 26 minutos de permanência no complexo presidencial. A duração das visitas variou de 19 minutos a mais de quatro horas.
O GSI informou que os registros de acesso não especificam o motivo das visitas nem os locais exatos dentro do Palácio do Planalto onde Lulinha esteve.
Visitas durante o governo Lula
A presença do filho do presidente no Planalto ocorre em meio às investigações conduzidas pela Polícia Federal sobre suspeitas de corrupção e tráfico de influência envolvendo Lulinha e pessoas próximas a ele.
As apurações também alcançam a empresária Roberta Luchsinger, apontada como amiga do filho do presidente. Segundo informações divulgadas no âmbito das investigações, mensagens analisadas pela PF indicam contatos entre Lulinha e integrantes do núcleo político do governo.
As suspeitas, contudo, ainda são objeto de investigação e não significam condenação ou comprovação definitiva de irregularidades.
Visitas eram particulares
O advogado Marco Aurélio de Carvalho afirmou ao Metrópoles que as visitas de Lulinha ao Palácio do Planalto tinham caráter pessoal.
Segundo o defensor, o empresário esteve no local para visitar o pai e amigos que trabalham na estrutura presidencial. Ele também negou que Lulinha tenha tratado de assuntos relacionados à administração pública durante os encontros.
A Secretaria de Comunicação da Presidência também afirmou que as visitas tiveram caráter estritamente privado e não envolveram assuntos da administração pública.
Em nota, o órgão declarou ainda que os encontros não produziram qualquer desdobramento administrativo.
Registros das entradas
Os dados fornecidos pelo GSI permitem identificar os horários de entrada e saída, mas não esclarecem o conteúdo das agendas ou com quem Lulinha teria se encontrado em cada ocasião.
Essa limitação dos registros impede, por si só, estabelecer uma relação entre as visitas e eventuais negócios ou decisões do governo federal.
A divulgação das informações ocorre enquanto a PF aprofunda investigações que envolvem o empresário, lobistas e possíveis relações com contratos e interesses privados junto à administração pública.
Investigações seguem em andamento
O nome de Lulinha passou a aparecer com maior frequência nas investigações relacionadas ao esquema de fraudes no INSS e às relações de empresários e lobistas com pessoas próximas ao governo.
A CPMI do INSS também já analisou requerimentos relacionados ao filho do presidente e a empresas ligadas a Roberta Luchsinger. Em fevereiro, parlamentares chegaram a retirar de pauta pedidos de quebra de sigilos que atingiam empresas relacionadas à empresária.
Até o momento, as informações sobre as visitas ao Palácio do Planalto mostram apenas a frequência e a duração dos acessos. O GSI não registrou nos dados fornecidos os motivos das entradas, enquanto a defesa e a Presidência sustentam que os encontros tiveram caráter privado.